Sair da minha zona de conforto, por Catarina Simões

Na minha adolescência decidi sair da minha zona de conforto várias vezes.

Os meus 17 anos foram um marco de mudança.  O meu lado aventureiro veio ao de cima e eu deixei-o fluir.

Embarquei numa viagem comigo mesma até aos Açores. Viajei de avião apenas entre Lisboa e a Terceira e fui de barco conhecer as outras ilhas.

Foi uma das melhores viagens da minha vida. Tinha um orçamento bastante apertado, mas consegui conhecer 7 das 9 ilhas. Dormi em residenciais e pensões, dado que nessa altura os hostels não eram bem um opção nas ilhas. Raramente comi em restaurantes. Andei imenso a pé e de autocarro. Lembro-me da sensação de liberdade que tinha todos os dias. Eu escolhia onde ia, o que fazia e não tinha de avisar ninguém ou discutir o itinerário. E falava imenso com as pessoas. Perdia horas a jogar conversa fora com os locais. Eles achavam estranho uma menina tão nova, sozinha na ilha, vinda do continente, mas abriam-me a porta das suas casas, lojas e mais importante, o coração.

Nesta viagem vi golfinhos e baleias inesperadamente enquanto andava a fazer travessias entre ilhas, vi dos mais espectaculares nascer e pôr do sol no meio do Atlântico. Abri , em reciprocidade, o meu coração e apaixonei pelas ilhas e pelos açorianos. Fiz amigos. Descobri que não é difícil nos adaptarmos a novas realidades, a novas pessoas, a novas rotinas, a novas aventuras. Na verdade, senti-me super confortável durante toda esta viagem. Confortável na minha própria companhia, em abordar estranhos, em procurar rotas de barcos, alojamento, sítios maravilhosos a visitar. Confortável a viver o agora, o presente, um dia de cada vez, sem planos, sem obrigações.

Como era menor, o meu pai assinou uma autorização em como me autorizava a viajar. Gastei, na altura, 20 euros nesse papel que nunca, mas nunca, me foi pedido em lado nenhum. Pode ter sido sorte, mas acho que foi pela minha transparência. Estava a ser eu, sem medos, sem filtros, sem barreiras. Não estava em fuga. Estava a viver em pleno o último verão antes da entrada na Universidade. Não é preciso ir para fora, ou para longe, para explorar, para nos aventurarmos, para sairmos da nossa zona de conforto. Este ano regressei a uma das ilhas dos Açores, em família, e senti-me em casa. Foi maravilhoso rever sítios, pessoas. Sentir toda a boa energia da ilha de novo e  mostrar à família alguns dos sítios de estórias divertidas que eles ainda hoje me ouvem contar. Claro, que como família, criamos a nossas próprias estórias. Mas isto é viajar. É sair do nosso mundo seguro e confortável e aventurar-nos por aí. É criar memórias, sozinhos ou com outros que nos vão fazer sorrir em dias menos bons.

Ainda hoje faço viagens sozinhas. Eu posso estar sozinha no inicio e no fim da viagem, mas durante, há sempre imensas pessoas que se juntam a mim ou às quais eu me acabo por juntar. Viajar sozinha para mim é conhecer pessoas, sítios, culturas. É avançar, sem pensar no depois. É deixar fluir e seguir o coração até à mais insana experiência possível. É permitir-me a ser livre de julgamentos e a abraçar o novo, o diferente, o desconhecido. É crescer com base em experiências vividas por mim.

Antes desta viagem, eu vivia a fazer planos, a organizar tudo. Não deixava espaço para o inesperado acontecer. Até que a vida foi acontecendo e eu fui aprendendo que nem sempre o inesperado é mau. O inesperado, pode ser, por vezes, o melhor que te acontece, se tu te permitires vivê-lo em pleno e de coração aberto ao mundo.

Catarina Simões
@catarinaassimoes

 

rubrica: Sair da Zona de Conforto

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