Queremos tanto ser únicos, mas passamos o tempo a comparar-nos com os outros

No outro dia, após uma sessão de coaching, fiquei a refletir sobre esta mania estúpida que o ser humano tem em comparar-se entre si e como isto nos limita em tanta coisa.

Numa era em que apregoamos tanto a unicidade, em que queremos ser todos especiais, únicos e originais… não faz absolutamente sentido nenhum a comparação.

A partir do momento em que somos únicos, acharmos que somos melhores ou piores que alguém deixa de fazer sentido. Se somos únicos, significa que somos diferentes de todas as outras pessoas. E, como gostava muito de dizer um antigo chefe meu, não faz sentido comparar alhos com bugalhos. Se somos diferentes dos outros, qual o ponto de nos compararmos com eles? Até podemos achar que faz sentido comparar algumas características que ambos tenhamos, mas uma mesma característica inserida num contexto diferente deixa de ser igual.

É como aquelas palavras que se escrevem e lêem de forma exatamente igual, mas têm significados diferentes.

Aliás, se pegarmos no exemplo das palavras, vou ainda mais longe. Se há coisa que tenho aprendido nos últimos tempos e que me tem surpreendido mesmo muito, é como um mesmo termo pode ter significados bem distintos para cada pessoa. Nunca podemos achar que algo significa para outra pessoa exatamente o mesmo que significa para nós.

E isto é também válido para nós enquanto indivíduos. Cada um de nós tem o seu contexto, cada um de nós tem a sua maneira de ver a vida e a sua verdade. Não há nenhum ser humano exatamente igual a outro. Sim, somos mesmo únicos. E se o somos, porquê nos compararmos?

Se olharmos para a nossa vida e pensarmos a quantidade de vezes que nos deixamos limitar porque fazemos comparações, vamos ficar espantados. Fazêmo-lo demasiadas vezes. De forma muitas vezes inconsciente, mas a comparação com o outro está demasiado incutida em nós. Perdemos a auto-confiança porque achamos que A ou B é melhor do que nós, porque queríamos ser como alguém e achamos que nunca o vamos conseguir ser. Para quê? Qual era a piada do mundo se fossemos todos iguais?

Imaginem um mundo em que todos tínhamos os mesmos interesses, fazíamos as mesmas coisas, reagíamos de forma igual, tudo igual. Como íamos aprender e crescer num mundo assim? Só de pensar nisso já me sinto entediada.

São as nossas diferenças, as nossas imperfeições e a nossa vontade de aprender e construir um caminho evolutivo, que nos torna seres interessantes.

Vamos dar valor aos seres únicos e imperfeitos que somos e quando nos quisermos comparar com alguém, vamos comparar-nos com quem fomos. Vamos olhar mais para a beleza da nossa própria evolução e perceber como somos bem mais do que pensamos, como já fizemos tanto para chegar aqui e como em cada dia que passa somos mais capazes de nos fazer chegar ainda mais longe.

Compara-te sim, mas compara-te contigo mesmo. Compara-te com aquilo que foste e com aquilo que podes ser. Agarra isso e torna-te a tua melhor versão. Única e diferente de qualquer outra.

2 thoughts on “Queremos tanto ser únicos, mas passamos o tempo a comparar-nos com os outros

  1. Também tenho observado isso. Creio que a comparação pode ser positiva se tivermos em conta os contextos, como referiste, e pode servir como gps para nós próprios. Ajuda-nos a equilibrar a ideia de nós, quanto à valorização de nós próprios, seja qual for a situação da auto-estima. Porque para mim a individualidade só faz sentido quando não estamos sós.
    Aproveito para te dizer que gosto de te ler.

    1. Obrigada pelo feedback 🙂 E, sim, concordo que o mundo não foi feito para vivermos sós e temos de encontrar o equilíbrio entre a relação connosco e a relação com o outro. beijinho

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