Neuza Cavalinhos

Há exatamente um ano atrás entreguei a minha carta de demissão. Foi um momento tão desejado, tão imaginado e ao mesmo tempo tão difícil. Há já alguns meses que sabia que o iria fazer, mas formalizá-lo foi o grande passo para a grande mudança da minha vida. Antes de me despedir achava que me ia sentir super bem quando o fizesse, mas a verdade é que foram momentos de muitas emoções e de muita tensão dentro de mim. Por mais que fosse algo que eu quisesse muito e tivesse muita certeza, eu sofria um pouco de síndroma de estocolmo para com a minha empresa. E ouvir promessas de evoluções que eu no passado tinha desejado, inevitavelmente mexeram comigo, acho que é impossível não mexer. Mas eu fui firme, muito firme até, e a certeza do futuro que eu queria para mim não me fez ceder à oferta da segurança de uma licença sem vencimento e desapeguei-me por completo. E acho que se não tivesse sido assim, tudo teria sido diferente.

Acho que, na verdade, é a incerteza do futuro que me espera o que me motiva.

Saber que só depende exclusivamente de mim aquilo que vou fazer, sentir-me verdadeiramente livre para escolher o meu caminho, sem qualquer constrangimento ou influência. Tenho um mundo de incertezas e inseguranças à frente? Tenho sim. Mas isso é fantástico. Porque pode até ser estúpido, mas tenho uma gigante certeza dentro de mim que tudo vai correr bem e que vou conseguir fazer tudo aquilo que quero. Que tudo vai dar certo e vai ser exatamente como tem de ser.

Eu sei que isto não é para todos os perfis, mas começar uma vida do zero tem uma magia sensacional. Poder reconstruir-me em todos os sentidos, ter oportunidade de escolher quem eu vou ser, ou melhor, como o meu verdadeiro eu se vai manifestar em cada uma das áreas da vida, é simplesmente magnífico.

E há tanta coisa dentro de mim que quer sair cá para fora, há tanta coisa que quero fazer, que quero criar, que quero aprender. Quando penso nisso, olho para trás e dá-me uma certa tristeza por só ter despertado agora. Eu sei que tudo acontece quando tem de acontecer, mas acho que passei tanto tempo a tentar encontrar o caminho e que por mais que buscasse nunca conseguia ver a luz, e agora é tudo tão claro que até parece impossível não o ter visto antes.

Mas sei que não o veria assim se não tivesse tido este ano poderoso. Este ano que me abriu a mente e, sobretudo, que me abriu a alma e o coração. Que me permitiu conectar todos os pontos do meu ser e tornar-me uma pessoa tão mais consciente, quer de mim quer do mundo que me rodeia.

Sei que para nos conectarmos com a nossa essência, não temos de ir viajar a solo pelo mundo. Mas esta foi a maneira que me surgiu à frente porque era aquela que eu precisava. Nada é por acaso. Eu sempre fui uma pessoa demasiado mental e claramente precisava de descer à terra e viver com os 5 sentidos, e esta viagem permitiu-me exatamente isso.

Cada pessoa terá a sua forma certa para chegar mais perto de si mesma, mas tenho a certeza de uma coisa, uma viagem a solo será sempre uma experiência enriquecedora e que permitirá mais facilmente uma conexão interna. Estarmos só connosco mesmos, sem distrações externas, obriga-nos a vermo-nos. É um excelente momento para pararmos de apenas nos olharmos de relance e fixarmo-nos no que está dentro de nós, naquilo que sentimos, nas nossas emoções.

Se andas a pensar fazer uma viagem a solo, mas ainda a ganhar coragem, este é o sinal que procuras. Vai. O momento é agora.