Neuza Cavalinhos

Talvez eu esteja com TPM e demasiado irritadiça, mas a falta de noção e civismo das pessoas consegue tirar-me do sério.

Estou em viagem há 9 meses. Não faço a mínima ideia da quantidade de hostels pelos quais já passei, mas foram imensos. E posso dizer-vos que já apanhei de tudo. Cheguei ao ponto de, durante a noite, a rapariga que dormia ao meu lado levantar-se e fazer xixi no chão. Enfim, viajar a baixo custo tem estes contras, mas ou estamos dispostos a passar por eles ou optamos por pagar mais. Eu considero-me uma pessoa fácil, com baixas exigências e não tenho grandes problemas com o que quer que seja. Facilmente me adapto a tudo e está tudo bem. Mas a falta de civismo dos outros viajantes irrita-me profundamente. Se todos formos sensatos, pensamos no bem comum e não apenas olharmos para o nosso umbigo, as coisas são tão mais fáceis para todos.

Quando cheguei ao hostel em São Paulo, no meu dormitório de 8 camas e 2 metros quadrados de espaço comum, calhou-me uma cama de cima. Não tenho problemas com camas de cima, embora prefira ficar em baixo, criei boas estratégias para ser fácil agilizar a logística de ‘viver’ no andar de cima de um beliche. No entanto, quando os companheiros de quarto acham que o quarto é todo deles, torna-se complicado. A menina do beliche ao lado achou por bem encostar a sua mochila à escada do meu beliche e espalhar a sua tralha pelo chão, obrigando-me a fazer movimentos acrobáticos para conseguir subir e descer para a minha cama sem me espatifar. E o mais engraçado é que ainda reclamou quando entrou no quarto e viu a minha mochila perfeitamente arrumada perto da cama dela (como se eu tivesse outra opção nos 30 cm2 que ela me deixou vagos).

Juro que não consigo perceber como não é óbvio que se estamos a dividir um espaço comum temos de respeitar o outro e tornar o espaço mais agradável e confortável para todos. Se todos pensarmos no bem comum, a vida é tão mais fácil.

Quando era miúda a minha mãe incutiu-me uma mensagem que ficou muito enraizada em mim. Não devemos fazer aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Vejo-me frequentemente, ao longo da minha vida, a pegar nesta premissa perante as minhas ações. Sempre tive uma excelente capacidade de me colocar no lugar do outro e acho que isso é meio caminho andado para termos uma conduta mais nobre. Mas não compreendo como para tantas pessoas é tão difícil perceber isto. Como é que pessoas que viajam de mochila às costas parece que têm palas nos olhos e são tão egoístas. Simplesmente não faz sentido. Dá-me vontade de lhes perguntar o que andam aqui a fazer. Andam a viajar, mas não respeitam o mundo.