Neuza Cavalinhos

Nos últimos tempos tenho-me sentido completamente em desequilíbrio. Desmotivada, com pouco foco e a ver as coisas à minha volta a desacelerarem. O sentimento de culpa invade-me e sinto que neste ritmo vai ser impossível realizar tudo aquilo que planeei para este ano.

Quando reflito sobre este panorama questiono-me se continuo a desejar o que planeei. Por vezes, deixo-me assombrar pela dúvida, mas logo penso no meu porquê e tudo faz tanto sentido que até assusta. Sinto e sei que o caminho é este, mas está difícil desviar-me das pedras. Volta e meia tropeço numa e deixo-me ficar ali por um pouco a perguntar-me se era suposto o caminho ser assim.

Sim, bem sei que não há caminhos perfeitos. E a verdade é que se não tivéssemos desafios para ultrapassar, isto não teria piada nenhuma.

Só que estou a lidar com uma realidade completamente nova para mim e quando fazemos algo pela primeira vez temos de aprender o melhor modo de fazê-lo. E é nessa luta que eu ando.

Procuro o equilíbrio em mim. O equilíbrio entre a disciplina e a liberdade. Decidi que este ano ia focar-me na disciplina e acabei a criar um sistema que nada tem a ver comigo. Defini uma rotina tão rigorosa que gerou exatamente o contrário do que queria. Simplesmente não consigo cumprir absolutamente nada do que planeei. E basicamente ando há um mês a chicotear-me por não conseguir ser disciplinada e cumprir o meu plano. E o mais estúpido é que só agora, enquanto estudava numerologia, é que me lembrei de algo que já sei de cor. Eu não nasci para viver com rotinas e horários rígidos, esse sistema não é para mim.

Tenho insónias desde que voltei para Portugal e, no outro dia, o meu irmão disse-me que era falta de stress. Eu ri-me. Mas de certo modo ele tem razão. Eu funciono melhor num sistema intenso e um pouco caótico até. Os meus picos de produtividade dão-se sob pressão e a verdade é que gosto disso. Talvez por isso sempre tenha preferido Lisboa ao Alentejo.

Portanto, as rotinas podem ser muito boas para gerir o tempo e garantir que se faz tudo o que se planeia, mas comigo não é assim tão linear. Por isso, decidi apagar todo o calendário que tinha definido para a minha vida e perceber como consigo alinhar a disciplina que sei que preciso com aquela que é a minha essência e a minha personalidade. Esquecer o abc da produtividade e perceber o que realmente funciona para mim.

Este artigo é mais um desabafo do que qualquer outra coisa, mas aproveito para vos desafiar a juntarem-se a mim nesta reflexão. Será que estão a forçar a implementação de algo na vossa vida que simplesmente não funciona convosco?

Somos todos diferentes e por isso não funcionamos todos com os mesmos métodos. E se apesar de muitos esforços não conseguimos implementar algo na nossa vida, talvez seja mesmo porque isso não encaixa com quem somos. É importante pararmos e percebermos qual o sistema que pode funcionar connosco para chegar aos mesmos resultados. Pelo menos é isso que eu vou fazer por aqui.